7 de jun. de 2015

MECANISMOS DE DEFESA


“7  Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. 8  Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. 9 E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? 10  Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.”  Gn 3.7-10.

OBJETIVO.

Venho tratar neste sermão sobre o comportamento da humanidade após a queda; e como, tais atitudes têm sido o modo pelo qual  estes se mantem afastados de Deus e da salvação reconciliadora através do sacrifício redentor de Jesus Cristo, nosso Salvador.

INTRODUÇÃO.

O pecado avultou certos "mecanismos de defesa" na alma humana que, atuando de forma errada, a afasta da presença de Deus. Tal pecado leva o homem a se afastar de Deus impedindo-lhe que desfrute do Seu melhor para a humanidade.
“23  O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. 24  E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.” Gn.3.23,24.
Assim, somos nós, seres humanos, quando não buscamos resolver nossa situação de conflito espiritual com Deus. Estamos destinados a sermos afastados do paraíso.
Contudo, as Sagradas Escrituras nos recomendam a resolver nossos conflitos psíquicos e espirituais; e assim, reconciliarmos com Deus para desfrutarmos de Seu melhor para nós:
“18  Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. 19  Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.” Is.1.18,19.

DEFINIÇÕES.

Muitos “desconhecem” a reação de seus próprios sentimentos, outros têm “medo” de tratar sobre esse tema. Isto porque ninguém gosta de aflorar sentimentos quando os desconhece e não sabem a onde isso os levará.
Outro fator importante a ser destacado é que o ser humano em sua estrutura psíquica possui uma característica adaptativa usada como “mecanismo de defesa” para evitar sentimentos de desprazer ou desconforto. Sim, tais mecanismos de defesas, procuram adaptar os desequilíbrios dessa estrutura psíquica.
Todavia, aqueles que por “mecanismo de defesa do ego”, na sua busca por conforto procuram ignorar certos sinais ou sintomas de um conflito “emocional”, “espiritual” e “existencial” acabam por não resolvê-los; desta forma, justamente porque tais pessoas não querem lidar com esses sentimentos que eles se tornam susceptíveis aos seus desconfortos e consequências.
Compare o comportamento de Caim em posicionar-se na defensiva e não querer resolver seus conflitos psíquicos e espirituais:
“Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR. 2  Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. 3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. 4  Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; 5  ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. 6 Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? 7  Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” Gn.4.1-7.
Sim, a negação ou rejeição a tratamento de conflitos geram desconfortos e distúrbios, tal como, não tratar ou ter medo de tratar uma ferida pode gerar infecções.

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS.

Ora, a fuga acerca do conhecimento dos problemas não é a melhor maneira de resolvê-los. Parafraseando um dito de um renomado escritor: “Se na medida que resolvemos os problemas e estes apresentam mais demanda de sabedoria para resolvê-los, não será com a negação do mesmo ou a falta de sabedoria que vamos resolver estes problemas ainda maiores.”
Daí a reação das pessoas tratarem esses aspectos do sentimento de forma: “negativa”, “desdém”, “menosprezo” ou “conflituosa”. Observe o comportamento de Caim sobre esse ponto da questão.
“8 Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou. 9 Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Gn.4.8,9.
Pois, na verdade, o ego manifesta sua dificuldade de confrontar e lidar com seus erros, seus pecados, suas emoções e conflitos, principalmente daquilo que ele não entende. E é exatamente isso que os impede de se concertar com o Seu criador.
Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure. Mt.13.15.
Todavia, a Palavra de Deus assim afirma:
“Conhecereis a verdade; e a verdade vos libertará!” Jo.8.32
Isto é, somente através do enfrentamento de nossos conflitos e pecados de acordo com a verdade divina, o reconhecimento de nossas debilidades, a apresentação sincera de nossas fraquezas a Deus, que experimentaremos libertação mediante sua compaixão e encontraremos graça reconciliadora para desfrutarmos de uma vida plena, segundo a vontade de Deus.

CLASSIFICAÇÃO.

Tais mecanismos de defesa quando usados para a fuga dos conflitos e pecados podem ser apresentados na forma de:
  1. NEGAÇÃO (trata se do ato de alguém negar o medo inconsciente e ou não admitir seu erro);
“1 Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? 2  Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, 3  mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. 4  Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.” Gn.3.1-3.
Sem dúvida, a negação de fatos ou de erros têm sido um dos principais modos pelo qual a humanidade tenta lidar com as situações desconfortáveis de seu mal comportamento e pecado.
A começar pela própria negação da existência de Deus; pois, se não existisse um criador, num estágio de sucessivas evoluções; então, não haveria necessidade de prestação de contas de erros e pecados a uma entidade superior, além da própria consciência.
Diante disso, pessoas tem negado a admissão de seus erros na falsa expectativa de que essa “ilusão” venha atenuar sua sensação de culpa. Todavia, a própria negação se torna empecilho para pessoas receberem cura através da honestidade, transparência, integridade e veracidade típicas do caráter de Deus.

  1. INTROJEÇÃO” (está relacionado com a assimilação de características, hábitos e ideais de outrem na justificativa de seu interesse) e sua respectiva identificação(manifestação desses ideais em seu comportamento);
“5  Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” Gn.3.5.
Observe como tem se propagado aquele tipo de argumento falacioso: “O que pode haver de mal nessa ação; afinal, todo mundo faz assim!” Contudo, o fato de todos praticarem coisas erradas, não isenta “por atacado” a culpa de cada um.

  1. RACIONALIZAÇÃO (é a ação de se justificar pela explicação pormenorizada no uso da razão para atenuar sentimento);
“6 Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu.” Gn.3.6a.
Muitos tentam justificar sua má conduta através da racionalização de que “os fins justificam os meios ou vice versa”; mas, isso é um engano e essa supressão da consciência e sentimentos um dia trará consequências e colapsos terríveis.

  1. PROJEÇÃO (estabelecido pelo padrão de colocar para fora algo de si mesmo e considerá-lo como ação padrão);
“… tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.” Gn.3.6b.
Certas pessoas têm o costume de praticar algo inapropriado e para não se sentirem culpados, os mesmos se tornam propagadores ferrenhos daquele comportamento, assim levam muitos a essa devassidão (ex: propagação da impureza e lascívia [gr: akatarsia, acelgeia] no relacionamento conjugal [2 Co.12.21; Gl.5.19; Ef.4.19; 5.3]).

  1. FANTASIA (manifesta-se através da realização de desejos encenados na imaginação como atenuação de conflitos);
“7  Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.” Gn.3.7.
Adão e Eva utilizaram folhas de figueiras para taparem suas vergonhas. Atualmente, as pessoas utilizam máscaras (arquétipos) para caricaturarem seus comportamentos e encenarem uma realidade fantasiosa. Muitos cristãos caricaturam uma falsa espiritualidade a fim de esconder seu pecado oculto ou a fragilidade de seu verdadeiro “eu”. No entanto, os mesmos precisam precisam ser honesto, “cair na realidade” e tirar essas ridículas máscaras (folhas de figueiras) a fim de que venham receber as vestimentas de peles, que representa o sacrifício de Jesus.

  1. REPRESSÃO (o ego leva o desequilíbrio conflitivo para o inconsciente a fim de amenizar o desconforto);
“8  Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.” Gn.3.8.
Aqui vai uma crítica a religião opressora que procura reprimir certas atitudes a fim de não querer lidar com o desconforto da realidade, cuja implementações de rituais opressores não trazem genuíno cristianismo, só agrega mais religiosidade, impedindo-os de chegar a uma motivação correta. Tal religiosidade repressora sufoca justamente aqueles que mais têm mais sofrido em razão da fé gerando sentimento de frustração ou incapacidade que levam a alienação ou enfraquecimento no relacionamento com o Deus.
  1. FORMAÇÃO REATIVA (o indivíduo apresenta comportamento oposto ao impulso indesejado nessa adaptação do desequilíbrio emocional);
“9 E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? 10  Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.” Gn.3.9.
A rigidez repressora mediante a existência do “mecanismo de defesa repressor” tende a conduzir pessoas ou para o mesmo padrão conceitual rígido, quando não acontece assim; leva as pessoas para o oposto disso que é justamente a “formação reativa” numa total falta de fronteiras conceituais como se isto representasse um desafio a tudo que a pessoa viveu debaixo de regime repressor na infância.

  1. “REGRESSÃO” (é quando emocionalmente a pessoa tende a ir para etapas anteriores da vida como fuga do presente conflito; ex: nostalgia e saudosismo);
“11 Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? 12  Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” Gn.3.11,12.
Na atenuação de seu sofrimento, algumas pessoas buscam encontrar uma fase confortável ou idealizadora de seu passado, como fosse um placebo temporal que levasse a fugir a presente realidade desconfortante.

  1. “CONVERSÃO” (trata da sintomatização do conflito expondo ou manifestado no físico [ex: dor de cabeça, taquicardia, diarréia, sudorese, etc.]);
“13 Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. 15  Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. 17 E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. 18  Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. 19  No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. Gn.3.14-19.
Aqui podemos encontrar toda forma de somatização, ou doenças psicos-somáticas que tem proporcionado muitos males através de doenças crônicas que servem como alarme para indicar que alguma coisa não vai bem no espírito e na alma humana.

  1. DESLOCAMENTO OU SIMBOLIZAÇÃO (quando alguém desloca uma carga  emocional para outra idéia ou objeto);
“20 E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos. 21 Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” Gn.3.20,21.
Observe que neste trecho aparece o primeiro símbolo da expiação do pecado mediante a morte de sacrifício, o qual, aponta para Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1.29).
Deus estabeleceu um modo para o ser humano lidar com as atenuações da culpa e do pecado, nessa simbologia podemos reconhecer que o método de Deus está no sacrifício justificador e redentor de nosso Senhor Jesus Cristo.
Como citado nos dez itens acima, é natural para a alma humana utilizar esses mecanismos de defesa na busca por atenuação dos seus erros, pecados, conflitos psíquicos e injustiças, a fim de que seus sentimentos permaneçam velados; todavia, isso impossibilita que os mesmos sejam verdadeiramente perdoados.
Pois o perdão não vem pelo velar de um sentimento conflituoso, mas pelo confronto da Palavra e confissão do mesmo na justificação pela fé dada mediante a graça da obra salvadora de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

PASSOS PARA ASSIMILAR ESSE CONHECIMENTO.

O maior problema do inconverso está em reconhecer que ele se encontra e permanece num ciclo de mecanismos de defesa contra Deus em relação ao reconhecimento de suas próprias debilidades, erros e pecado.
É como um filho que se encontra perdido em seus conflitos emocionais e tem dificuldade para reconhecer que aquele corrige é o mesmo que o ama e quer proporcionar-lhe educação e cura, tal qual é a criatura diante de seu criador. Assim é necessário que o homem reconheça o seu erro mediante:
14  se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. 2 Cr.7.14.
  1. RECONHECIMENTO: Se meu povo,
  2. VONTADE DE RECONCILIAÇÃO: ...que se chama pelo meu nome...
  3. HUMILHAÇÃO: ...se humilhar...
  4. CONFISSÃO: ...e orar...
  5. ARREPENDIMENTO: ...e me buscar...
  6. CONVERSÃO: ...e se converter dos…
  7. TRANSFORMAÇÃO: ...seus maus caminhos…
  8. ACEITAÇÃO: ...eu ouvirei...
  9. PERDÃO: ...perdoarei…
  10. CURA: ...sararei sua terra.

APLICAÇÃO.

Observe esse vídeo do youtube e compare o mecanismo de defesa dessas crianças diante de um ato de confronto com seus erros diante de seu pai: https://www.youtube.com/watch?v=n8MD94uTC1g

CONCLUSÃO.

Logo, em sua relutância no enfrentamento com a verdade, o ser humano continua sua fuga impedindo o de reencontrar a vontade divina e Seu propósito original que trás sentido a existência humana.
Observe esta reação de fuga e errância no propósito através do comportamento de Caim:
10  E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. 11  És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. 12  Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra. 13 Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.14  Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará. 15  O SENHOR, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o SENHOR um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse. 16 Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. Gn.4.10-16.
Deus não nos criou para andarmos fugindo e errantes de sua presença, quer por sentimento de culpa, quer por mecanismo psíquico de defesa na atenuação de nossos erros ou pecados, mas nos chamou para Sua reconciliação.
17  E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 18  Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19  a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 20  De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. 21  Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Co.5.17-21.

APELO.

Quantos aceitam a obra de salvação dada mediante a cruz do Calvário?
Quantos reconhecem e querem mudar seu comportamento e mecanismos de defesa para se reconciliar com o Senhor?

1 de mai. de 2015

JESUS E O CIRENEU

“1 Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. 2  Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.” Gl.6.1,2.
OBJETIVO.
Venho tratar neste sermão sobre a importância de ter amigos para compartilhar nossos fardos.

INTRODUÇÃO.

Afim de que possamos respaldar nosso argumento, permita-me utilizar Jesus como referência como forma de ter relacionamentos saudáveis. Observe o exemplo de Jesus.
Jesus tinha companheiros para levar seus fardos. Ele se relacionava e confidenciava a eles. Observe o texto:
36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37  e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38  Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39  Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Mt.26.36-39.

DEFINIÇÕES.

Mas, o que significa relacionamentos saudáveis? Relacionamentos saudáveis não significa relacionamentos perfeitos! Pois até nos relacionamentos saudáveis poderão ocorrer falhas na expectativa e na confiança.
Relacionamentos saudáveis trata de relacionamentos maduros e dispostos a perdoar, até porque é impossível ao ser humano não ter relacionamentos, a pessoa que acha que não precisa de relacionamentos é uma pessoa doente no âmbito socioemocional.
Até Jesus sofreu decepção com seus amigos nas horas mais difíceis.
40  E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41  Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 42  Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43  E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. 44  Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45  Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Mt.26.40-45.
Jesus teve amigos que fugiram.
50  Então, deixando-o, todos fugiram. 51  Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão. 52  Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo. Mc.14.50-52.
Jesus teve um amigo que negou.
69 Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu. 70  Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71  E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. 72  E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. 73  Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia. 74  Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o galo. 75  Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente. Mt.26.69-75.
Mas, diante de tudo isso, Jesus teve um companheiro fiel: O apóstolo João.
25  E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26  Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. 27  Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa. 28  Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! 29  Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. 30  Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. Jo.19.25-30.

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS.

Todavia, isso não fez Jesus se ressentir e, por orgulho, criar barreiras nos relacionamentos. Pelo contrário, em momentos difíceis, Jesus adquiriu novas amizades.
Pois, as amizades nos auxiliam em nossas dificuldades. Até Jesus, o filho de Deus, precisou de ajuda no seu momento de dificuldades.
Observe o caso de Simão Cireneu; seguramente, em Cristo na cruz do calvário foi abolida a separação existente entre raças, a exemplo disto podemos tomar o caso de Simão Cireneu, em levar a cruz ao Gólgota.
21 E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz. Mc.15.21.
31 Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado. 32 Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz. Mt.27.31,32.
26 E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus. Lc.23.26.
Simão de Cirene foi a pessoa obrigada pelos romanos a carregar a cruz de Jesus quando ele foi levado à sua crucificação, de acordo com os  Evangelhos.
Fora chamado de Cirene ou cireneu porque sua cidade natal era em Cirene, na Líbia, localizada ao norte de África, desta forma o texto faz alusão a Simão, o primeiro africano cristão. Cirene foi uma comunidade judaica, onde 100.000 judeus tinham resolvido habitar durante o reinado de Ptolomeu Soter (323-285 a.C.). E que periodicamente era costume muitos desses judeus irem a Jerusalém para as festas anuais, no caso, da Páscoa.
A tradição diz que seus filhos Rufo e Alexandre se tornaram missionários, a inclusão de seus nomes em Marcos sugere que eles tinham alguma posição na comunidade cristã em Roma.
Foi sugerido que o Rufo mencionado por Paulo em Romanos 16:13 é o filho de Simão de Cirene. Alguns também apontam Simão como os "homens de Cirene", que pregou o Evangelho para os gregos, em Atos 11: 20.

PASSOS PARA RECONHECER QUE PRECISA DE AJUDA.

1 Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. 2  Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. Gl.4.1-2.
Ou seja, a verdade é que pedir ajuda não nos torna inferior em nossa posição como filhos de Deus, pelo contrário, nos faz reconhecer que o Pai coloca sobre nós curadores e tutores segundo seu propósito. Pessoas precisam de ajuda:
  • na vida espiritual.
  • no conhecimento da Palavra de Deus.
  • na área familiar.
  • no âmbito conjugal.
  • no aspecto do aprendizado financeiro.
  • nas tomadas de decisões.
  • no suporte em meio a dificuldades.
  • outros.
Somente o orgulhoso não reconhece que precisa de ajuda, e por isso, Deus permite ele sofrer com a consequência da dificuldade para fazê-lo mais humilde.
24 Daí retribuir- me o SENHOR, segundo a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença. 25 Para com o benigno, benigno te mostras; com o íntegro, também íntegro. 26 Com o puro, puro te mostras; com o perverso, inflexível. 27 Porque tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates. 28 Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o SENHOR, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas. Sl.18.24-28.

APLICAÇÃO.

Assim, devemos amadurecer nossas emoções e termos hombridade e humildade para solicitar ajuda quando precisamos. Pois, até o filho de Deus precisou de ajuda para cumprir com seu propósito na terra, cujo Simão carregou-lhe a cruz.

CONCLUSÃO.

Diante de todos esses argumentos se estabelece a seguinte proposição:
“Ninguém se encontra tão bem em sua vida que possa dizer que não precisa de ajuda alguma, ou ninguém está tão mal a ponto de não poder ajudar outrem”.

APELO.

Quantos sentem necessidade de ter relacionamentos saudáveis?
Quantos estão dispostos a se humilhar para pedir ajuda?

11 de abr. de 2015

PRÁTICAS INCOERENTES

"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos". Oséias 4.6.

OBJETIVO.

O objetivo desse sermão visa tratar sobre a existência de certas práticas erradas ou incoerências no meio cristão com abordagem franca e honesta a fim de corrigir certos comportamentos. Todavia, a proposta não está em produzir crítica severa, mas expor a realidade dos fatos com o intuito de proporcionar corações arrependidos.
MODO DE MINISTRAÇÃO.
Trata-se de um ensaio do pensamento ou constatações, cujo foco desse sermão não é apologético, mas desenvolvê-lo dentro da ótica pastoral e evangelística. Pois através do amor pelos perdidos e empatia pelas ovelhas e seus conflitos podemos trazer um direcionamento profético para suas necessidades e propósito de vida. (Uma entrada profética).

INTRODUÇÃO.

Certo dia, eu pesquisava sobre alguns materiais de estudo; então encontrei um conteúdo que dizia algo similar do tipo: “Certos cristãos tem problema com a mentira”. De momento, eu refutei aquele conteúdo, sequer li seu material; depois, parei para observar o tema, se o mesmo procedia. Então cheguei a constatação que em algumas circunstâncias, tal proposição pode ser correta. Observemos com cuidado:

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS.

  1. CERTOS CRISTÃOS TEM PROBLEMA COM A MENTIRA.

De fato, tal proposição pode estar correta em alguns casos a serem apresentados; cujos pastores, e principalmente os pregadores itinerantes são os mais responsáveis por isso.
“2 Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. 3  Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. 4  Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los". Mt.23.2-4.
Observe que Jesus já falava acerca dessa abordagem entre a discordância das pregações com as devidas práticas das mesmas. Mas, quais são as áreas onde ocorrem essas incoerências?
No testemunho: Algumas pessoas procuram ajudar o milagre através do exagero de seu comentário (anedota do chorar rios de lágrimas), (o conto do testemunho quando o saldo do milagre vai aumentando a medida que repete o testemunho).
No relatório: Alguns relatórios eclesiais são imprecisos quando apresentados, principalmente no que convém. (estatísticas como supõe o neologismo “evangelásticos" que enumeram pessoas, anjos, arcanjos, querubins e serafins numa reunião, pois é impossível conter tal número de pessoas naquele evento), (o caso de enumerar seis pessoas ou seis famílias), (aquele discurso de crescimento de cem por cento para ocultar número inexpressível de pessoas).
Descrição da realidade articulada: Trata da articulação do cenário apresentando somente às partes boas dos fatos; portanto, criando uma realidade diferente do episódio em si.
Talvez você pense: "Qual o problema com isso?" A final de contas isso não poderia ser definido como uma figura de linguagem na forma de “hipérbole”? Porém, é assim que surgem as fábulas ou os mitos no imaginário cristão. Pois, se tomarmos qualquer indivíduo crente e compilarmos sua história com esse método, certamente apresentaremos uma história de vida onde o próprio protagonista ficaria impressionado com seu relato.
Contudo, nessa descrição de realidade articulada, quando o cristão normal lê ou ouve estes fantásticos testemunhos, tem a sensação de que sua vida é fracassada ou insignificante; ou seja, se não enxergar um anjo por dia, ou se Deus por meio dele não realizar um feito extraordinário de forma cotidiana; então passa aquela sensação decepcionante de que seu dia foi vazio, inoperante ou sem propósitos.
Com muito amor quero corrigir esse pensamento e dizer que esse sentimento não representa bem a realidade do Reino, bem como tem sido prejudicial para o desenvolvimento da vida cristã normal.
Nisso cria-se uma expectativa exacerbada acerca do que é uma vida cristã normal, que leva o cristão a viver uma vida aquém da normalidade!

2. CERTOS CRISTÃOS TEM DIFICULDADE COM AQUILO QUE PREGAM.

Certos Cristãos demonstram dificuldades em ter equilíbrio naquilo que pregam, isto é, demonstram estar cheios de amor e compaixão, mas na prática manifestam atitudes de religiosidade, elitismo ou legalismo. Isto é, seu discurso é inclusivo, mas sua prática é excludente.
Quanto a sua prática: Será que estamos preparados para receber os perdidos no estado deplorável que muitos se encontram, enquanto que um razoável número de igrejas ainda conservam a prática de homens e mulheres sentarem em lugares separados.
Quanto a forma de sua proclamação: A natureza do Evangelho é “Boa Notícia”, não temor do inferno! Quando enfatizamos mais o juízo do inferno do que a boa notícia de salvação, então incorremos no erro das pessoas virem para Jesus mais por medo do inferno do que por amor a Ele; isso não é genuína conversão, mas religiosidade.
Quando enfatizamos mais o inferno do que o amor de Deus, provocamos um desequilíbrio na teologia equânime de Deus sendo bom, justo e santo; o que leva as pessoas a imaginarem que Deus é carrasco, desta forma, não querem recebê-lo como salvador! Assim,  o ensinamento equilibrado acerca de Deus é fundamental para propagação do genuíno Evangelho.
Todavia, penso que demonstrar amor não se trata de possuir atitudes condescendentes a ponto de serem tontos ou manipuláveis. Existe um equilíbrio nesse comportamento e o amor de Deus é inclusivo e trás esse equilíbrio. Observe nos versículos abaixo o Evangelho do amor.
“30 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. 31  Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. 32  Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. 33  Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele". Lc.10.30-33.
Quanto ao sistema que rege suas vidas: (Cultura pagã ou Evangelho?) Certos Cristãos demonstram incoerência entre aquilo que pregam e o que vivem, falam sobre viver o evangelho, mas orientam suas vidas em meio à práticas culturais mundanas e pagãs. Exemplo: (adotam costumes de novelas, moda e outros comportamentos); (vários namoros simultâneos ou o “ficar”).
Além disso, estamos convictos que as pessoas escolhem sua conduta de vida cristã e até sua congregação mais por um critério cultural do que por uma direção do Espírito Santo. Isto porque elas não sabem ter direção espiritual para tal, pois na ausência de uma orientação espiritual a cultura assume esta função.

3. CERTOS CRISTÃOS PROCURAM ESPIRITUALIZAR SUAS AÇÕES.

Certos cristãos tem inconsistência entre o que dizem e o modo que vivem. Procuram espiritualizar suas ações, e por fim acabam deixando a culpa e a responsabilidade de suas ações para Deus.
Cuidado em dizer "Deus falou comigo..." Exemplo: Certa irmã, em uma hora de reunião com seu lider, falou cinquenta e poucas vezes a expressão: "Deus falou comigo..." Tenho observado que tal argumento serve como desculpa para a pessoa fundamentar suas decisões (principalmente quando resolve trocar de igreja). Penso que pelo menos tal pessoa deveria ser sincera e dizer que “não concorda” ou “não se adapta” mais com a forma ou direção que se conduz seu relacionamento com a igreja sem responsabilizar Deus por isso conotando “ar de espiritualidade”.
“28 O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? —diz o SENHOR. 29  Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiúça a penha? 30  Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro. 31  Eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse". Jr.23.28-31.
Sobre esse assunto, encontramos o relato de determinados líderes que apresentam ao grupo “uma nova visão” vinda de Deus; contudo, tais líderes esquecem que disseram ter tido outra visão anterior, a qual também afirmavam como se viesse de Deus. Mas, qual destas visões veio de Deus? A antiga ou a inovadora? Estaria Deus mudando de tempo em tempo? (Mlq.3.6).
Ou pessoas dizem que tal ação foi dirigida por Deus e no fim a mesma ação não dá certo. Exemplo: Trabalho, namoro, casamento, etc.
“13 Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. 14  Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. 15  Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. 16  Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna". Tg.4.13-16.
4. CERTOS CRISTÃOS AFIRMAM SER LIVRES MAS PERMANECEM MANIPULÁVEIS.
Certos cristãos afirmam ser livres, todavia permanecem influenciados por práticas clichês e manipulados como massa de manobra. Sim, deveras! Existe muita manipulação de marketing evangélico e eclesial.
Exemplo: Podemos observar certos artistas evangélicos em mera profissionalização cujo cumprimento de propostas contratuais acabam por fazer em público coisas que envergonham o Evangelho. A necessidade econômica em vender um novo CD ou escrever um livro novo com o propósito de mantê-lo em “fama” faz da celebridade cristã um sub serviente a propósitos explicitamente mercadológicos (a genuína motivação de expansão do Reino está longe de ser verdade!).
Por falar em “mercado da fé”, observe isso: Muitos acessórios chamados “reforços de fé” que são vendidos na forma de “amuletos” evangélicos como “lenços ungidos”, “água benta”, “óleo de Israel”, etc. Os quais visam exploram o reino de forma financeira e comercial.
“2 E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; 3 também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme". 2 Pe.2.2,3.
Exemplo: Shows de cantores com finalidades puramente comercial, comemoração de feriados com finalidade de lucro, eventos cristãos onde se vendem a unção (At.8.9-23).
“13 Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. 14  E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; 15  tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas 16  e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio". Jo.2.13-16.
Cabe a nós exercer o “binômio profético”, e como profetas de Deus “anunciar” Cristo e seu compromisso com a verdade e “denunciar” os erros, ou distorções cometidos em nome do Reino.
No aspecto do profetismo, a igreja ficou apenas com o anúncio sobre Jesus Cristo e seu Reino vindouro, mas perdeu a característica de “denúncia contra o pecado, a injustiça e a corrupção”. Uma vez que a Igreja negligenciou tal tarefa diante da sociedade, a mesma agora passa a ser exercida pela imprensa, isto é, a imprensa agora cumpre o papel negligenciado pela Igreja em denunciar os abusos cometidos pelas autoridades. É como se a igreja neutralizasse sua função de coluna e baluarte da verdade.
"para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade". 1 Timóteo 3.15.
5. CERTOS CRISTÃOS PROFESSAM FÉ ABSOLUTA, MAS NÃO RECONHECEM SUAS DEBILIDADES NA FÉ.
Quanto a debilidades: Certos cristãos professam fé absoluta, no entanto, tem dificuldades para reconhecer as próprias debilidades na fé. Penso que as pessoas deveriam ser honestas em afirmar que crêem, mas sinceras no reconhecer que existe debilidades na fé.
Reconhecer debilidades não significa estar susceptível a incredulidade; pois o medo para com a incredulidade ou o temor de que suas debilidades possam, no âmago, ser uma espécie de incredulidade, leva o portador a não admitir suas debilidades na fé; no entanto, tal sentimento faz um mal tremendo em sua relação com Deus. Deus quer curar esse sentimento para que a pessoa não sofra mais.
“23  Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê. 24  E imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” Mc.9.23,24.
“18  Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. 19  E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, 20  não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, 21  estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera. 22  Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça”. Rom.4.18-22.
Observe o caso de Abraão. O considerado “Pai na Fé”, exemplo e modelo de fé genuína tinha plena fé no milagre que estava por acontecer; todavia, ele não negou seu estado de “amortecimento”, mas apesar disso, ele creu. Assim, nós devemos considerar nosso estado e não entrar em mecanismos de defesa psíquica” como “negação” da realidade, porque isso é “dissonância cognitiva”; mas, apesar disso, continuar crendo.
Quanto a doenças: Acerca desse tema, tais pessoas dizem não precisar de remédios, que já tem saúde divina, mas aceitam usar óculos, convivem com a obesidade, calvície ou outros. (Há um episódio jornalístico, onde certo bispo que afirmava que doença era demônio e pecado, no entanto, quando entrevistado demonstrou ter doenças). Penso que não podemos aceitar certas incoerência ou exageros de acreditar que existem umas doenças que precisam ser expurgadas, enquanto permitimos outras que sejam toleráveis; isto é, doença é doença! Cuidado com os exageros! E o que dizer destes versículos abaixo:
“Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer, Jeoás, rei de Israel, desceu a visitá-lo, chorou sobre ele e disse: Meu pai, meu pai! Carros de Israel e seus cavaleiros!” 2 Reis 13:14.
“13  E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física. 14  E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus. 15  Que é feito, pois, da vossa exultação? Pois vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar. 16  Tornei-me, porventura, vosso inimigo, por vos dizer a verdade?” Gl.4.13-16.
"Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades". 1 Timóteo 5:23
Quanto a confiança: Certos cristãos professam suas crenças, mas apresentam dificuldades para confiar. Há uma incoerência entre aquilo que crêem e a forma ou motivação pelo que praticam.  Há uma “dissonância cognitiva” entre o crer no âmbito espiritual e no parâmetro cognitivo com o confiar na esfera emocional.
Isto é, com a fé no espírito afirmamos que Deus é onipotente, onipresente e onisciente, com a fé e intelecto confessamos que Deus é moralmente amor, justiça e santidade, mas na prática e na emoção nos comportamos como se ele não fosse. Observe esses versículos.
9 Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes. 10 Eu cria, ainda que disse:estive sobremodo aflito. 11 Eu disse na minha perturbação: todo homem é mentiroso. 12 Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo? 13 Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR. Sl.116.9-13.
Compare que o salmista declara que possui fé; embora, o mesmo igualmente descreve sua humanidade quando manifesta seus sentimentos e não reprime a exposição de suas fraquezas. Diante disso ele reconhece a fragilidade humana para com a mentira ou falsidade, no entanto, na presença desses fatos, o autor transcende seu entendimento depositando sua genuína confiança nAquele que verdadeiramente pode satisfazer os desejos de seu coração.
Exemplo de mãe que não confia os cuidados de seu bebê com a babá; assim, a cada minuto liga para saber o estado da criança.
6. CERTOS CRISTÃOS PROFESSAM UMA TEOLOGIA IMPRATICÁVEL DENTRO DOS PARÂMETROS UNIVERSAIS DO EVANGELHO.
Queridos! Não está errado admitirmos que temos debilidades em certas áreas da vida no tocante a fé, isso nos faz humanos e tira sobre nós o jugo de uma religiosidade absoluta que sufoca justamente aqueles que mais têm mais sofrido em razão da fé. Isto é, os pobres, os injustiçados, os doentes e outros.
Tais exageros têm levado muitos ao sentimento de frustração ou incapacidade que geram alienação ou enfraquecimento no relacionamento com o Deus. Vamos ser amorosos com essas pessoas e ajudá-los a encontrar sentido em seus assuntos e assim desfrutar de uma magnífica comunhão com o Pai e seus irmãos de fé.
Exemplo: Para alguns parece certo possuir “exacerbada teologia da prosperidade” e dizer que pobreza é pecado em um país de primeiro mundo e onde há liberdade de culto e condições propícias para desenvolvimento. O difícil é manter essa teologia quando alguns cristãos são perseguidos e espoliados como no Iraque, Síria, Sudão e China.
Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável. Hebreus 10.34  
Para alguns, conotação de ser “apóstolo ungido” é possuir estética de um homem bem sucedido e ostentar objetos de desejo e consumo; todavia, os mesmos esquecem o modo como os “apóstolos do cordeiro” viveram e procederam.
“9  Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. 10  Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11  Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, 12  e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13  quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos. 14 Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados”. 1 Co.4.9.14.
“11 Tenho-me tornado insensato; a isto me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós; porquanto em nada fui inferior a esses tais apóstolos, ainda que nada sou. 12  Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos. 13  Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça. 14  Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. 15  Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” 2 Co.12.11-15.
“Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;” Apocalipse 2:2
    No Novo testamento encontramos os apóstolos entesourando coisas espirituais para o rebanho de Deus, na atualidade o discurso está em o povo de Deus entesourar riquezas para aqueles que se auto proclamam apóstolos.
    Não que seja errado o homem de Deus possuir os bens desse mundo, errado está em colocar o foco nisso e fazer disso essência de sua teologia. Portanto, a igreja em sua função profética precisa denunciar esses abusos da fé.

PASSOS PARA CORRIGIR ESSES COMPORTAMENTOS INCOERENTES

  • Arrepender se. A base do Evangelho começa com arrependimento e transformação.
“15  dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”. Mc.1.15.
  • Buscar honestidade e franqueza. A confissão é uma prática fundamental para quem quer estar em linha com a vontade e veracidade divina.
“2  Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição. Oh! Quando virás ter comigo? Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero. 3  Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará”. Sl.101.2,3
  • Mudar comportamento. Mudança de comportamento implica em genuína conversão e transformação de vida.
“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”. Ezequiel 18.32  
  • Ser ponderado e comedido. A prudência nos faz ser precavidos e pessoas que reflitam não em clichês pré estabelecidos, mas em formação de opinião fundamentadas na Palavra e na Verdade. Assim, encontramos sóbrios e não nos precipitamos a agir de forma incoerente e ostentar outra realidade.
“Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. 2 Timóteo 1.7  
  • Não cair no oposto e entrar em obstinação pela acuracidade. Alguns se deixam extravasar em seus comportamentos, não porque sejam voluntariamente religiosos, mas porque estão sofrendo severas angústias que provocam compulsividade e obsessão. Em contra partida, não é saudável cair em minúcias ou obstinação por detalhes.
“15  Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso que prolonga os seus dias na sua perversidade. 16  Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?” Ecl.7.15,16.
Todavia, Jesus é fiel para curar toda enfermidade quer no físico quanto na alma (N.O.C.) e no comportamento.

APLICAÇÃO.

Agostinho disse: “Pregue o Evangelho e se precisar use palavras”.
A melhor pregação do cristão é o seu testemunho de vida diante da sociedade. A maior dificuldade para evangelizar, está na falta de exemplo das pessoas que frequentam a Igreja. Precisamos pregar e viver um evangelho que faça sentido na doutrina e na vida diante daqueles que nos assistem, na esperança que nosso comportamento faça diferença para aqueles que precisam ver Jesus em nós.

CONCLUSÃO.

Minha proposta não foi produzir crítica severa ou em demasia , mas reconhecer que se quisermos alcançarmos aqueles que não conhecem a Cristo, devemos certificar se existem certas incoerências na expressão do que somos e com sinceridade nos ajustarmos de acordo com a Palavra de Deus.

APELO.

Quantos querem viver o Evangelho?